sexta-feira, 19 de agosto de 2011

União Européia em apuros

O fracasso da integração federalista da União Européia vai se mostrando mais claro na atual crise econômica. Como de hábito, Alemanha e França (juntos metade do PIB da UE) discutem os problemas do bloco. E como igualmente de hábito, faltou aos dois países solidariedade e visão.

As desavenças fazem parte da história da União Européia. A invasão no Iraque, o poder parlamentar em Bruxelas, a ligação com a OTAN e os investimentos sempre foram questão debatidas. Quando se encontram respostas, normalmente, as vozes dos mais fortes (Inglaterra, Alemanha e França) se impõem no lugar do interesse coletivo.O problema da vez: o que fazer para equilibrar as contas dos países da zona do euro em situação econômica crítica. Grécia, Itália, Espanha, Portugal estão assistindo a uma perigosa alta nos juros de dívida pública. E, as previsões de crescimento econômico ainda são pessimistas.

Os investidores ficam inseguros quanto à capacidade desses países pagarem o que devem. Uma solução defendida para instabilidade seria a criação de eurobônus. Esses títulos europeus seriam portos mais seguros e injetariam confiança no mercado.

Sarkozy e Merkel discutiram essa semana em Paris e concluíram que a solução não passa pela partilha da dívida. Mesmo que política fiscal tolere uma balança levemente desfavorável, eles mandaram governos aprenderem que em economia não se torra mais do que se arrecada.

Na teoria, eles têm razão. Mas, é fácil falar após vinte anos de vista grossa aos excessos cometidos. A grande maioria abusou dos gastos num momento de baixo crescimento e não manteve o limite de 3% de déficit público definido no Tratado de Maastricht em 1992. A bomba ia estourar e ninguém se importou. Pois, explodiu.

A União Européia (diga-se, Sarkozy e Merkel) precisa finalmente agir em prol da desejada integração. O primeiro passo é garantir certa estabilidade no mercado criando-se os eurobônus. Depois, fortalecer as instituições supranacionais para haver um controle de fato sobre os países para evitar erros semelhantes no futuro.

E, a camaradagem, principalmente, precisa ser maior. Alemanha e França sempre definiram com egoísmo as políticas e os rumos da União Européia. Agora, falta exercer real liderança e visão política no momento de crise.

O futuro do bloco está em cheque e alguns analistas já prevêem o a inviabilidade do euro. Junto com o fim moeda, vão-se sonhos e expectativas de criar-se uma voz única capaz de manter a Europa no centro da geopolítica mundial.

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