terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Fracasso de Obama

Obama se elegeu com três objetivos básicos: apaziguar as desavenças entre Republicanos e Democratas, reposicionar a economia norte americana nos trilhos corretos e mudar a imagem “imperialista” dos EUA no mundo.

Nenhuma delas foi cumprida. Antes, dizia-se existir um bloco centrista de políticos de ambos os partidos. Hoje, nem o mais democrata dos republicanos pensa igual ao mais republicano dos democratas. O Tea Party (ala radical republicana), para piorar, ganhou força. Os problemas de crescimento econômico não foram resolvidos. A prisão de Guantánamo continua funcionando. Iraque e Afeganistão assistem à lenta saída de tropas dos EUA e da OTAN, mas os conflitos não podem ser consideradas guerras ganhas.

Seu principal sucesso político: a morte de Osama Bin Laden ainda poderá trazer consequências negativas. Antes um dos principais aliados na região, o Paquistão (para alguns analistas, um país terrorista) não engoliu ter sido passado por cima na morte do terrorista e pode se tornar um perigoso inimigo nuclear. O sentimento anti-americano na sociedade paquistanesa só aumenta. O exército (real força política no país) nunca morreu de amores pela subordinação a Washington e Generais fofocam, nas internas, sua simpatia pelos Talibãs e pela Al-Qaeda.

A verdade é: sobram belas palavras de um Nobel da Paz e faltam ações. A crise econômica de 2008 e a grande parcela conservadora da sociedade americana não são suficientes para justificar os fracassos de Obama. A mensagem eleitoral - Yes, we can - falhou. Mostrou sua veia republicana brindando bancos com dinheiro do Estado. E como representante democrata não encontrou forças para o necessário aumento de impostos no controle do déficit norte-americano. E de melhor, o mundo atual não tem nada em relação ao mundo de três anos atrás.

Sua única esperança de legado político, por enquanto, será a reforma do plano de saúde estatal: Medicare e Medacaid. Mas, ainda é um programa incompleto passível de prováveis retrações nos gastos. Fora o desgaste político do presidente refletido nas difíceis negociações para elevar o teto da dívida pública.

Para piorar, certos analistas, enxergam a China cutucando a hegemonia Yankee. Países como Brasil já criam forte dependência econômica da China e, consequentemente, subordinação política ao gigante asiático. O continente africano, por exemplo, ainda recebe fortes investimentos de infra-estrutura de estatais chinesas.

A última esperança de Obama parece vir da opinião pública. Se o liberalismo americano funcionou até hoje, deve-se a uma sociedade acostumada a fazer política por conta própria. Um interessante sinal surgiu: o milionário Warren Buffet, presidente da Berkshire Hathaway, defendeu mais impostos aos milionários em artigo ao New York Times.

Mas, o que tudo indica, tempos de vacas magras e rixas políticas continuarão em Washington. Resultado: do Salão Oval da Casa Branca, Obama vai caminhando por conta própria até seu precipício político nas eleições de 2012.

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