terça-feira, 30 de agosto de 2011

Líbia pós-Gaddafi

Fim de tirania não garante nova democracias funcionando. E, os recentes casos de Egito, Tunísia e, principalmente, Iraque devem servir de exemplo para a nova ex-ditadura Líbia.

O futuro pós-Gaddafi é um ponto de interrogação. Mas, o país encontra uma conjuntura favorável. Diferente dos outros países da Primavera Árabe, a Líbia apresentou uma alternativa política organizada para cuidar do país e tem um governo reconhecido internacionalmente.

Há um líder: Mustafa Mohammed Abdul Jalil, ex-ministro da Justiça de Gaddafi. Seguindo a pirâmide organizacional dos rebeldes vem, por exemplo, representantes de assuntos militares, assuntos políticos, assuntos internacionais e por ai vai. Esse conselho seria o responsável pela transição democrática do país e comandaria a Líbia até uma eleição pluripartidária.

O primeiro problema é a vitalidade da unidade rebelde. A elite política é composta, principalmente, de dissidentes da ditadura de Gaddafi. Já entre soldados há até fundamentalistas islâmicos ligados a Al-Qaeda. Se antes todos compartilhavam o interesse em derrubar o tirano, hoje, não é garantido que o projeto futuro rebelde seja compartilhado entre as diferentes correntes.

Analistas afirmam que o sucesso da revolução dependerá da capacidade de elaborar rapidamente um projeto de sociedade civil agregando as diferentes tribos e grupos sociais existentes no país. A chave está em construir escolas, hospitais, partidos políticos, imprensa livre, polícia confiável e todas as estruturas de um país democrático. Ou seja, a Líbia precisa trabalhar do zero sua estrutura como nação.

As condições para iniciar existem. A ONU já liberou 1,5 bilhões em verbas para reestruturação do país e contratação da burocracia estatal. O petróleo, se bem utilizado, poderá trazer boas cifras para o governo e gerar pólos de desenvolvimento econômicos.

Tudo dependerá da agilidade com que o processo se dará. Se o governo de transição não mostrar serviço, as desavenças podem surgir. E do fim de uma guerra contra um ditador, pode surgir outro conflito ainda mais perigoso para o futuro da Líbia.

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