Fim de tirania não garante nova democracias funcionando. E, os recentes casos de Egito, Tunísia e, principalmente, Iraque devem servir de exemplo para a nova ex-ditadura Líbia.
O futuro pós-Gaddafi é um ponto de interrogação. Mas, o país encontra uma conjuntura favorável. Diferente dos outros países da Primavera Árabe, a Líbia apresentou uma alternativa política organizada para cuidar do país e tem um governo reconhecido internacionalmente.
Há um líder: Mustafa Mohammed Abdul Jalil, ex-ministro da Justiça de Gaddafi. Seguindo a pirâmide organizacional dos rebeldes vem, por exemplo, representantes de assuntos militares, assuntos políticos, assuntos internacionais e por ai vai. Esse conselho seria o responsável pela transição democrática do país e comandaria a Líbia até uma eleição pluripartidária.
O primeiro problema é a vitalidade da unidade rebelde. A elite política é composta, principalmente, de dissidentes da ditadura de Gaddafi. Já entre soldados há até fundamentalistas islâmicos ligados a Al-Qaeda. Se antes todos compartilhavam o interesse em derrubar o tirano, hoje, não é garantido que o projeto futuro rebelde seja compartilhado entre as diferentes correntes.
Analistas afirmam que o sucesso da revolução dependerá da capacidade de elaborar rapidamente um projeto de sociedade civil agregando as diferentes tribos e grupos sociais existentes no país. A chave está em construir escolas, hospitais, partidos políticos, imprensa livre, polícia confiável e todas as estruturas de um país democrático. Ou seja, a Líbia precisa trabalhar do zero sua estrutura como nação.
As condições para iniciar existem. A ONU já liberou 1,5 bilhões em verbas para reestruturação do país e contratação da burocracia estatal. O petróleo, se bem utilizado, poderá trazer boas cifras para o governo e gerar pólos de desenvolvimento econômicos.
Tudo dependerá da agilidade com que o processo se dará. Se o governo de transição não mostrar serviço, as desavenças podem surgir. E do fim de uma guerra contra um ditador, pode surgir outro conflito ainda mais perigoso para o futuro da Líbia.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
União Européia em apuros
O fracasso da integração federalista da União Européia vai se mostrando mais claro na atual crise econômica. Como de hábito, Alemanha e França (juntos metade do PIB da UE) discutem os problemas do bloco. E como igualmente de hábito, faltou aos dois países solidariedade e visão.
As desavenças fazem parte da história da União Européia. A invasão no Iraque, o poder parlamentar em Bruxelas, a ligação com a OTAN e os investimentos sempre foram questão debatidas. Quando se encontram respostas, normalmente, as vozes dos mais fortes (Inglaterra, Alemanha e França) se impõem no lugar do interesse coletivo.O problema da vez: o que fazer para equilibrar as contas dos países da zona do euro em situação econômica crítica. Grécia, Itália, Espanha, Portugal estão assistindo a uma perigosa alta nos juros de dívida pública. E, as previsões de crescimento econômico ainda são pessimistas.
Os investidores ficam inseguros quanto à capacidade desses países pagarem o que devem. Uma solução defendida para instabilidade seria a criação de eurobônus. Esses títulos europeus seriam portos mais seguros e injetariam confiança no mercado.
Sarkozy e Merkel discutiram essa semana em Paris e concluíram que a solução não passa pela partilha da dívida. Mesmo que política fiscal tolere uma balança levemente desfavorável, eles mandaram governos aprenderem que em economia não se torra mais do que se arrecada.
Na teoria, eles têm razão. Mas, é fácil falar após vinte anos de vista grossa aos excessos cometidos. A grande maioria abusou dos gastos num momento de baixo crescimento e não manteve o limite de 3% de déficit público definido no Tratado de Maastricht em 1992. A bomba ia estourar e ninguém se importou. Pois, explodiu.
A União Européia (diga-se, Sarkozy e Merkel) precisa finalmente agir em prol da desejada integração. O primeiro passo é garantir certa estabilidade no mercado criando-se os eurobônus. Depois, fortalecer as instituições supranacionais para haver um controle de fato sobre os países para evitar erros semelhantes no futuro.
E, a camaradagem, principalmente, precisa ser maior. Alemanha e França sempre definiram com egoísmo as políticas e os rumos da União Européia. Agora, falta exercer real liderança e visão política no momento de crise.
O futuro do bloco está em cheque e alguns analistas já prevêem o a inviabilidade do euro. Junto com o fim moeda, vão-se sonhos e expectativas de criar-se uma voz única capaz de manter a Europa no centro da geopolítica mundial.
As desavenças fazem parte da história da União Européia. A invasão no Iraque, o poder parlamentar em Bruxelas, a ligação com a OTAN e os investimentos sempre foram questão debatidas. Quando se encontram respostas, normalmente, as vozes dos mais fortes (Inglaterra, Alemanha e França) se impõem no lugar do interesse coletivo.O problema da vez: o que fazer para equilibrar as contas dos países da zona do euro em situação econômica crítica. Grécia, Itália, Espanha, Portugal estão assistindo a uma perigosa alta nos juros de dívida pública. E, as previsões de crescimento econômico ainda são pessimistas.
Os investidores ficam inseguros quanto à capacidade desses países pagarem o que devem. Uma solução defendida para instabilidade seria a criação de eurobônus. Esses títulos europeus seriam portos mais seguros e injetariam confiança no mercado.
Sarkozy e Merkel discutiram essa semana em Paris e concluíram que a solução não passa pela partilha da dívida. Mesmo que política fiscal tolere uma balança levemente desfavorável, eles mandaram governos aprenderem que em economia não se torra mais do que se arrecada.
Na teoria, eles têm razão. Mas, é fácil falar após vinte anos de vista grossa aos excessos cometidos. A grande maioria abusou dos gastos num momento de baixo crescimento e não manteve o limite de 3% de déficit público definido no Tratado de Maastricht em 1992. A bomba ia estourar e ninguém se importou. Pois, explodiu.
A União Européia (diga-se, Sarkozy e Merkel) precisa finalmente agir em prol da desejada integração. O primeiro passo é garantir certa estabilidade no mercado criando-se os eurobônus. Depois, fortalecer as instituições supranacionais para haver um controle de fato sobre os países para evitar erros semelhantes no futuro.
E, a camaradagem, principalmente, precisa ser maior. Alemanha e França sempre definiram com egoísmo as políticas e os rumos da União Européia. Agora, falta exercer real liderança e visão política no momento de crise.
O futuro do bloco está em cheque e alguns analistas já prevêem o a inviabilidade do euro. Junto com o fim moeda, vão-se sonhos e expectativas de criar-se uma voz única capaz de manter a Europa no centro da geopolítica mundial.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
O Fracasso de Obama
Obama se elegeu com três objetivos básicos: apaziguar as desavenças entre Republicanos e Democratas, reposicionar a economia norte americana nos trilhos corretos e mudar a imagem “imperialista” dos EUA no mundo.
Nenhuma delas foi cumprida. Antes, dizia-se existir um bloco centrista de políticos de ambos os partidos. Hoje, nem o mais democrata dos republicanos pensa igual ao mais republicano dos democratas. O Tea Party (ala radical republicana), para piorar, ganhou força. Os problemas de crescimento econômico não foram resolvidos. A prisão de Guantánamo continua funcionando. Iraque e Afeganistão assistem à lenta saída de tropas dos EUA e da OTAN, mas os conflitos não podem ser consideradas guerras ganhas.
Seu principal sucesso político: a morte de Osama Bin Laden ainda poderá trazer consequências negativas. Antes um dos principais aliados na região, o Paquistão (para alguns analistas, um país terrorista) não engoliu ter sido passado por cima na morte do terrorista e pode se tornar um perigoso inimigo nuclear. O sentimento anti-americano na sociedade paquistanesa só aumenta. O exército (real força política no país) nunca morreu de amores pela subordinação a Washington e Generais fofocam, nas internas, sua simpatia pelos Talibãs e pela Al-Qaeda.
A verdade é: sobram belas palavras de um Nobel da Paz e faltam ações. A crise econômica de 2008 e a grande parcela conservadora da sociedade americana não são suficientes para justificar os fracassos de Obama. A mensagem eleitoral - Yes, we can - falhou. Mostrou sua veia republicana brindando bancos com dinheiro do Estado. E como representante democrata não encontrou forças para o necessário aumento de impostos no controle do déficit norte-americano. E de melhor, o mundo atual não tem nada em relação ao mundo de três anos atrás.
Sua única esperança de legado político, por enquanto, será a reforma do plano de saúde estatal: Medicare e Medacaid. Mas, ainda é um programa incompleto passível de prováveis retrações nos gastos. Fora o desgaste político do presidente refletido nas difíceis negociações para elevar o teto da dívida pública.
Para piorar, certos analistas, enxergam a China cutucando a hegemonia Yankee. Países como Brasil já criam forte dependência econômica da China e, consequentemente, subordinação política ao gigante asiático. O continente africano, por exemplo, ainda recebe fortes investimentos de infra-estrutura de estatais chinesas.
A última esperança de Obama parece vir da opinião pública. Se o liberalismo americano funcionou até hoje, deve-se a uma sociedade acostumada a fazer política por conta própria. Um interessante sinal surgiu: o milionário Warren Buffet, presidente da Berkshire Hathaway, defendeu mais impostos aos milionários em artigo ao New York Times.
Mas, o que tudo indica, tempos de vacas magras e rixas políticas continuarão em Washington. Resultado: do Salão Oval da Casa Branca, Obama vai caminhando por conta própria até seu precipício político nas eleições de 2012.
Nenhuma delas foi cumprida. Antes, dizia-se existir um bloco centrista de políticos de ambos os partidos. Hoje, nem o mais democrata dos republicanos pensa igual ao mais republicano dos democratas. O Tea Party (ala radical republicana), para piorar, ganhou força. Os problemas de crescimento econômico não foram resolvidos. A prisão de Guantánamo continua funcionando. Iraque e Afeganistão assistem à lenta saída de tropas dos EUA e da OTAN, mas os conflitos não podem ser consideradas guerras ganhas.
Seu principal sucesso político: a morte de Osama Bin Laden ainda poderá trazer consequências negativas. Antes um dos principais aliados na região, o Paquistão (para alguns analistas, um país terrorista) não engoliu ter sido passado por cima na morte do terrorista e pode se tornar um perigoso inimigo nuclear. O sentimento anti-americano na sociedade paquistanesa só aumenta. O exército (real força política no país) nunca morreu de amores pela subordinação a Washington e Generais fofocam, nas internas, sua simpatia pelos Talibãs e pela Al-Qaeda.
A verdade é: sobram belas palavras de um Nobel da Paz e faltam ações. A crise econômica de 2008 e a grande parcela conservadora da sociedade americana não são suficientes para justificar os fracassos de Obama. A mensagem eleitoral - Yes, we can - falhou. Mostrou sua veia republicana brindando bancos com dinheiro do Estado. E como representante democrata não encontrou forças para o necessário aumento de impostos no controle do déficit norte-americano. E de melhor, o mundo atual não tem nada em relação ao mundo de três anos atrás.
Sua única esperança de legado político, por enquanto, será a reforma do plano de saúde estatal: Medicare e Medacaid. Mas, ainda é um programa incompleto passível de prováveis retrações nos gastos. Fora o desgaste político do presidente refletido nas difíceis negociações para elevar o teto da dívida pública.
Para piorar, certos analistas, enxergam a China cutucando a hegemonia Yankee. Países como Brasil já criam forte dependência econômica da China e, consequentemente, subordinação política ao gigante asiático. O continente africano, por exemplo, ainda recebe fortes investimentos de infra-estrutura de estatais chinesas.
A última esperança de Obama parece vir da opinião pública. Se o liberalismo americano funcionou até hoje, deve-se a uma sociedade acostumada a fazer política por conta própria. Um interessante sinal surgiu: o milionário Warren Buffet, presidente da Berkshire Hathaway, defendeu mais impostos aos milionários em artigo ao New York Times.
Mas, o que tudo indica, tempos de vacas magras e rixas políticas continuarão em Washington. Resultado: do Salão Oval da Casa Branca, Obama vai caminhando por conta própria até seu precipício político nas eleições de 2012.
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